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A SEXUALDIADE E AS FASES PSICOSEXUAIS

A SEXUALDIADE E AS FASES PSICOSEXUAIS

Quinta-feira, 17 de Maio de 2012
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Até o final do século passado havia a noção de que o sexo era um instinto que despertava com a puberdade e tinha como objetivo a reprodução. O sexo era entendido em termos da sexualidade genital do adulto. A sexualidade infantil era negada ou considerada como anomalia.

No início do século, as postulações revolucionárias de Freud situam a sexualidade na infância e no inconsciente, ampliando o conceito do termo "sexual", que deixa de ser sinônimo de "genital". Essa visão ampliada foi exposta em 1905 nos "Três ensaios sobre a teoria da sexualidade". O termo "sexual", aparece ligado a um conjunto de atividades não restritas aos órgãos genitais, que começa na infância e não na puberdade, e cuja finalidade é o prazer e não apenas a reprodução. Essas postulações de Freud suscitaram naturalmente numerosas discussões que foram permitindo uma visão nova sobre a sexualidade humana, que começou a ser vista com menos preconceito.

O conceito de normalidade sexual tende a ser considerado como tudo o que é praticado por adultos legalmente capazes, com o consentimento dos parceiros e que não implique lesão física de nenhum dos participantes.

A excitação caracteriza-se essencialmente pela ereção do homem e a lubrificação vaginal na mulher, que se verifica a partir de atividades ou pensamentos estimulantes. O platô, é o estágio de grande excitação e tensão sexual que precede imediatamente o orgasmo. A ereção é completada por vasocongestão do corpo cavernoso do pênis, que aumenta de tamanho e de diâmetro. Nas mulheres há ereção dos mamilos e do clitóris. Essas transformações são acompanhadas de sensação de prazer. O orgasmo é a ejaculação com contrações do cordão espermático, das vesículas seminais, da próstata e da uretra no homem, e contrações vaginais e uterinas na mulher. A fase de resolução é a involução gradativa da ereção, com a volta ao tamanho habitual do pênis e do clitóris em razão da perda da vasocongestão; sensação de relaxamento e bem-estar dos parceiros. Durante essa fase, os homens ficam refratários a novos orgasmos por período que aumenta com a idade. As mulheres são capazes de outros orgasmos, logo em seguida.

Freud (1905/1972) reconstruiu, a partir dos tratamentos de seus pacientes, das observações diretas realizadas por pediatras e por ele próprio e as descrições publicadas de quadros psicopatológicos e de povos primitivos, as diversas fases pelas quais passaria o indivíduo, desde seu nascimento; elaborou a teoria da progressão da libido, do estágio oral para o anal e para o genital com a conseqüente reorganização seqüencial do impulso e da natureza do Id. Erikson (1976) estabeleceu que o indivíduo passa da confiança para a autonomia e para a atividade, através da reorganização seqüencial do Ego e das estruturas de caráter. Spitz (1979) referiu-se aos princípios organizadores que levam a sucessivas restruturações dos precursores do Ego. Mahler (1993) concluiu que o indivíduo vai do autismo normal para a simbiose normal e para a separação-individuação, noção que depois abandonou face à observação empírica contraditória; haveria reestruturação do Ego e do Id, mas nos termos da experiência e do eu-e-outro do bebê.

Klein (1974) descreve as posições esquizo-paranóide e depressiva, que levam à restruturação da experiência de eu e outro. Stern (1992) pensa que sua abordagem se aproxima mais às duas últimas, já que a preocupação central é com a experiência de eu-e-outro do bebê, diferindo, entretanto, quanto ao que se considera ser a natureza dessa experiência: a ordem de seqüência do desenvolvimento do senso de self, livre dos obstáculos e das confusões trazidas pelas questões do desenvolvimento do Ego ou do id.

Todas as teorias psicanalíticas compartilham outra premissa: o desenvolvimento progride de um estágio para o seguinte, sendo cada estágio não apenas uma fase específica para o desenvolvimento do Ego ou do Id, mas também específica para certas questões protoclínicas. As fases do desenvolvimento se referem a um tipo específico de questão clínica que se verá desenvolvendo patologias em etapas posteriores da vida (Stern, 1992). Dois autores citados por Stern (1992), Peterfreund e Klein, criticam este ponto, afirmando que se trata de uma teoria do desenvolvimento que, além de ser retrospectiva, ou seja, descreve por uma reconstrução do passado a partir de estruturas mais evoluídas, traduz-se pela morfologia da patologia.

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